Fui pedida em Casamento, e agora?

Nos primeiros dias, tudo flui com facilidade, porque no início há entusiasmo, troca constante de mensagens com a família, abraços demorados e sorrisos que surgem sem esforço, mas, sem grande aviso, começa a instalar-se uma dúvida silenciosa, “E agora?”. Raramente é dita logo de forma direta, mas faz-se sentir nos momentos de pausa, nas pesquisas feitas à noite no telemóvel e nas conversas que começam com um hesitante “achas que devíamos…”. Mas calma, não é estranho nem fora do comum, na verdade, é algo bastante natural, visto ser algo quase inevitável.

Depois do “sim”, o mundo entra na conversa

Assim que a notícia se espalha, começam a surgir várias opiniões, muitas vezes algumas pedidas e outras nem tanto. Dentro dessas opiniões surgem sugestões de data,, conselhos cheios de boas intenções e listas do que supostamente tem de ficar resolvido o quanto antes.

De repente, aquilo que era só vosso começa a ganhar outras dimensões e é aí que muitos casais se revêem numa mistura inesperada de felicidade com ansiedade, como se já estivessem em falta para algo que, na realidade, ainda nem começou.

Não é preciso decidir tudo agora

Há uma ideia muito comum que é pouco útil e que diz que, se não resolver tudo de imediato, vai acabar por perder o controlo ou até ficar sem opções. No entanto, a verdade é que algumas decisões pedem reflexão, raramente pedem pressa, porque não é essencial, pelo menos nesta fase defenirem pormenores como: o estilo da decoração, as cores, o tipo de fotografias ou até o número certo de convidados. Antes de entrares nesses detalhes, há algo bem mais importante que merece a vossa atenção.

Como querem viver o vosso dia

Antes de pensar no que o dia vai parecer por fora, vale a pena perguntar como é que o querem sentir por dentro. Há casais que procuram tranquilidade, ou seja, um ritmo mais lento, conversas sem pressa, no entanto há outros que preferem energia, com música, movimento, pessoas, aquele entusiasmo que enche o espaço, há também quem queira estar sempre rodeado de gente, partilhar cada momento e também quem precise de silêncio, ou seja, de pausas, de algum espaço para respirar.

Nenhuma destas formas de viver o dia do casamento é o melhor ou o pior. São apenas diferentes e essas diferenças mudam as suas decisões que se seguem. Quando isto não fica claro desde o início, é fácil criar um dia que até parece bonito á superfície, mas que cansa, porque pode estar tudo organizao ao detalhe , mas faltar proximidade, até pode ser perfeito para quem vê de fora, mas estranho para quem o está realmente a viver. No fundo, mais importante do que impressionar é fazer sentido, porque um dia bem vivido sente-se.

O perigo de decidir antes de sentir

Muitos casais começam a escolher fornecedores antes de perceberem verdadeiramente o que querem, isto não é por falta de cuidado, mas por receio de falhar, medo de escolher mal, medo de se arrepender, medo de não corresponder às expectativas. E assim, as decisões vão sendo tomadas com base no que parece certo, no que está na moda e no que dizem que resulta, mas a verdade é que um casamento não é um projeto igual a tantos outros e sim, é uma experiência íntima, única e profundamente pessoal.

Dar espaço também é uma decisão

Há valor em parar, em não decidir tudo de uma vez, em deixar que as ideias assentem devagar, sem pressa. Conversar, discordar, mudar de opiniões, voltar atrás, tudo isso faz parte do caminho e revela muito sobre o que acabará por existir mais tarde. Não há nada de errado em não saber por onde começar, por vezes, isso é apenas um sinal de que ainda estão a descobrir o que realmente faz sentido para vocês, aquilo que toca ou aquilo que permanece.

Antes dos fornecedores, há perguntas que importam fazer 

Talvez o primeiro passo não seja marcar visitas, pedir orçamentos ou criar pastas de inspirações, e sim, talvez seja:

O que é realmente importante para nós neste dia?

A resposta a essa pergunta simplifica tudo o resto, ou seja, dá clareza às escolhas, ao ritmo e ao que verdadeiramente importa. E quando chega o momento de falar com os fornecedores, especialmente com aqueles que vão estar perto de forma próxima e constante, esta clareza faz toda a diferença.

No próximo texto, vou falar sobre isto: o que percebo logo na primeira conversa com um casal, e também porque que essa conversa revela muito mais sobre o casamento do que qualquer fotografia jamais poderia.